CABMMA reconhece: Pedrita x Valentina poderia ter sido encerrada antes

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Valentina castiga a brasileira, sem defesa - Foto: Jason Silva-USA TODAY Sports
Valentina castiga a brasileira, sem defesa – Foto: Jason Silva-USA TODAY Sports

Uma enorme polêmica envolveu o coevento principal do UFC Belém, realizado na capital paraense no último sábado. Valentina Schevchenko não deu chances à brasileira Priscila Pedrita, conectando golpes duríssimos em pé logo no início e castigando no ground and pound impiedosamente ao logo do primeiro round (10-8).

Pedrita suportou a pressão, sofreu alguns pequenos cortes e escoriações na face, no intervalo avisou o córner que sentiu o joelho, mesmo assim voltou com tudo para o segundo round. A visitante novamente não tomou conhecimento, repetiu a atuação, derrubou e desferiu uma avalanche de socos e cotoveladas.

Como bater também cansa e, notando que o árbitro central Mario Yamasaki não iria interromper tão cedo, mesmo com Pedrita praticamente indefesa, Valentina optou por passar a cana do braço no pescoço da brasileira e ajustar um estrangulamento mão com mão, obrigando a desistência da dona da casa.

Yamasaki não concordou com o bombardeio de críticas, “todos tem o direito de falar e opinar”, mas admitiu que falhou ao não parar a luta na primeira batida em desistência no estrangulamento.

Dana White detonou a performance de Yamasaki nas redes sociais, afirmando que deveria ter interrompido muito antes, sim, e mais, pedindo que o árbitro nunca mais pise no octógono do UFC para fazer m****.

A Comissão Atlética Brasileira de MMA se pronunciou sobre o caso. Em nota, a CABMMA concordou com as críticas dos fãs, mídia e do próprio mandatário Dana White.

Confira a nota completa:

A Comissão Atlética Brasileira de MMA (CABMMA) discutiu o incidente com o árbitro Mario Yamasaki e demais membros da comissão na reunião pós evento realizada no próprio ginásio em Belém. Apontamos todas as nossas preocupações quanto à conduta dele durante a luta.

Priscilla Cachoeira demonstrou valentia e coração durante os dois rounds, entretanto são atitudes que não podem confundir ou interferir o árbitro quanto se tratar de interrupção. No primeiro round, nos minutos finais, estava claro que a Priscilla não conseguia se defender de forma eficiente e técnica, refletindo assim diretamente nas notas dos juízes, onde todos deram 10-8 nesse round.

Round 2 foi exatamente igual, porém como obviamente a atleta Priscilla não conseguiu se recuperar o suficiente do round anterior para demonstrar alguma chance contra a Valentina, a luta poderia ter sido interrompida já nos momentos iniciais. Caso o round tivesse se estendido até o término, seria um evidente 10-7, já que se tratou de um round em que o lutador domina completamente seu adversário de forma impressionante, em striking e grappling, a tal ponto de se considerar necessária a interrupção da luta. Pode ser por uma esmagadora dominância, mas também com significativos impactos que possam evidenciar uma necessidade de interrupção imediata pelo árbitro.

Em relação ao matchmaking, a luta foi aprovada pela CABMMA. Se a luta não foi bem casada e isso sendo evidentemente demonstrado no decorrer da luta, é obrigação do árbitro de identificar esta disparidade, já que ele é a maior autoridade naquele momento com plena responsabilidade de proteger o lutador, incluindo interromper a luta no momento correto.

A CABMMA entende que erros são possíveis de acontecer, mas devem ser reconhecidos e corrigidos para evitar que se repitam novamente no futuro. E no esporte do MMA onde a maior preocupação deve ser a saúde e integridade física do atleta, de um ponto de vista regulatório, tudo deve ser feito para diminuir os riscos de um cenário como o ocorrido neste final de semana.

Mario Yamasaki tem sido um dos melhores árbitros de MMA dos últimos anos e teve um papel fundamental na construção da equipe da CABMMA. Iremos juntos discutir os próximos passos e sem dúvida decidiremos o que for melhor para todos os envolvidos”.

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