Testemunha da morte do pai, “Killer” encontra alento no MMA e mira invencibilidade no Katana

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Aos 14 anos de idade ele viu o pai ser assassinado com dois tiros no corpo, à queima roupa. Antes de sair da cena, o criminoso ainda apontaria a arma para o menino e para a sua mãe. Um adolescente que tinha tudo para se perder na vida, mas antes que algo de pior acontecesse, encontrou o esporte. Aos 12 anos, Luiz Gustavo iniciou no caratê em um projeto social de Colombo (PR), sua cidade natal. Aos 13 conheceu o Muay Thai e o Jiu-Jítsu. E no ano seguinte, inesperadamente, sofreria o nocaute mais duro que a vida poderia proporcionar.

– O pai não pode morrer. O pai precisa deixar vocês bem de vida. O pai não conseguiu fazer isso ainda, o pai não pode morrer – essas foram as últimas palavras do senhor Luiz Marcelo nos braços do filho Luiz Gustavo, que estava cortando a grama, quando um ex-sócio do seu pai, aparentemente embriagado, se aproximou do portão e chamou Marcelo, dizendo que queria pagar a dívida em dinheiro que ele havia cobrado logo após o rompimento da sociedade.

– Lembro como se fosse hoje. Coloquei em minha cabeça que essa responsabilidade a partir daquele momento seria minha. ‘Eu irei deixar a minha família bem. O que a vida tem de melhor, eu quero para mim e para a minha família. Tiraram o meu chão? Então eu vou reconstruir um chão de ouro’ –  revela.

Depois de viver a cena mais dolorosa da vida, Luiz Gustavo se revoltou, o ódio tomou conta do menino que tinha o pai como principal incentivador, e que nos últimos últimos três meses de vida acompanhou de perto treinos, competições e até gravava. Luiz Marcelo falava do filho atleta aos amigos com muito orgulho: “É lutador”. O garoto chegou a se envolver com a bebida, em brigas. E foi numa dessas brigas de rua que Luiz Gustavo foi visto pelo treinador e convidado a voltar às artes marciais.

– Quando meu pai morreu aconteceram ainda mais coisas ruins. Morávamos de aluguel, tivemos que entregar a casa e ir morar com meus avós. Fiquei sem dinheiro para pagar a academia. Prometi a ele que seria o melhor do mundo e cuidaria da família. Mas, uma semana depois bateu a revolta, uma coisa normal. Comecei a brigar em casa, ficar na rua até tarde, bebia, batia no meu irmão mais velho. Numa dessas brigas com o irmão, o professor de caratê ia passando bem na hora. Ele apartou e me aconselhou por horas. E uma das frases que ele disse foi: ‘É isso que você quer para sua vida, ver sua mãe chorando?’. Parei e pensei: ‘Nossa, estou fazendo tanta m****, estou virando um lixo, jogando tudo fora’. Então resolvi cumprir a promessa, voltei com tudo aos treinos e nunca mais parei – explica. Mais tarde, Luiz Gustavo seria acolhido pela equipe Evolução Thai, que se tornou a sua segunda casa e que cuida de tudo relativo à carreira profissional há mais de cinco anos.  

Luiz Gustavo afirma que ainda carrega muita raiva no coração, por tudo o que passou e ainda passa. Todos os dias lembra do pai. A família segue no mesmo lugar, sem passar necessidades, ressalta, mas que não é o que quer para a família, sonha com uma vida mais confortável e poder dizer para a mãe parar de trabalhar.

– Quando eu chego para lutar, carrego tudo isso dentro de mim, muita raiva. Entro para matar. ‘Penso assim: vou matar esse cara, ele quer roubar tudo o que tenho’, conta Killer, apelido ganho do treinador André Dida, devido ao estilo agressivo e aniquilador.

No próximo sábado, o garoto de ouro da 36744275_896647487203344_4389477312614105088_nEvolução Thai entra em ação novamente no Katana Fight (AO VIVO NA FAN PAGE DO EVENTO), em casa, diante da torcida, em um duelo internacional com o mexicano Alejandro Marroquin, considerado completo, com um cartel de sete vitórias e apenas três derrotas. Killer não quer saber de onde vem ou quem é o adversário.

– A estratégia é enfiar a porrada. Só sei que vou espancar ele em pé ou no chão. Treino com os melhores e vou fazer com ele o que eu faço com todos os meus adversários: espancar. Em tudo o que o mexicano é bom, sou melhor dez vezes – garante o peso-galo, invicto em oito combates, e que dentre os seus sonhos quer conquistar o cinturão do maior evento do mundo. “Só falta ganhar o cinturão, porque o melhor do mundo nessa categoria eu já sou”, crava o ousado Killer.

Abaixo você confere o card completo e uma das vitórias do atleta.

Confira um dos nocautes de Killer no Katana:

Katana Fight 5 – Gold Edition
Evolução Thai, Colombo (PR)
Sábado, 21 de julho 

Card principal

Eduardo Garvon x Wendell Negão
Luiz Gustavo Killer x Alejandro Marroquim
Christiano Frohlich x Carlos Eduardo Ananais
Kaik Brito x Fernando Sagati
Richard Godoy x Gabriel Leite de Oliveira
Flavio Madruga x Wellington Toin

Card Preliminar

Hemerson Toco x Jorginho Filho
Elvis Caiçara x Henrique Douglas Strike
Samuel Caveira x Rangel Anaconda
Vinicius Chambinho x Wanderson Saci
Mauricio Alejandro Sosa x Francisco Naiano
Dione Silva x Ana Paula Silva Ferreira
Gabriel Taborda x Klinger Pinheiro Ferreira
Patrick Oliveira Brabão x Renê Soldado
Loibe De Oliveira Neto x Sidnei Schmitz

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